sábado, 21 de abril de 2012




Era.. 
..uma vez a muito tempo atrás... 

& o mundo girou... girou.. girou..
.... o tempo passou ... passou.. sem descanso, dó ou piedade.
...............quando o óbvio persistia em distância ....
ventou.
..tudo mudou..direção.. as horas do dia.. os cabelos..os sonhos..os assombros.
... o desencontro tentou.. segurou em um ponto
fino..frágil..mágico.. e desencantou.

.. o mundo girava.. como sempre..indiferente..
mas ....como sempre
diferente..

Talvez...de tanto girar..o "des" ... des-viasse.....
des-integrasse..
....des-aparecesse
.................... des-concertasse..
des-conectasse..

..e por fim..
restasse..no ponto do toque dos dedos...reatando o encontro.

....em um tempo
..........................muito lá na frente.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sempre a mesma.


Dentre todas as linhas

.... era do centro a escolhida.

Sempre foi assim.

Pontas não ocupam o centro do foco.

..não expressam a intensidade da essência.

Escorregam.....

......................... são a incerteza do início

a fragilidade do fim.

Local de saciar a sede.. deixar vasculhar a curiosidade.

Da intensidade.

... sem voz prisioneira na garganta..

Sem esforço para fluir.

assim.... era no meio o meio do começo e fim.

De espaço generoso

..... a liberdade para dançar.

No meio.

Sorrir .. não tencionar testa ou o trincar dos dentes

.. era ali bem no meio, local de repouso da obrigações.

Sob a sombra e luz..

no meio.

Não nas pontas indecisas e escorregadias do desejo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ridícula


Frágil ao tempo aonde se escorrega à podridão.

....e vem a pessoa tentando marcar compasso,

com um passo no espaço com toda pretensão.

A tola precisa mesmo de suporte forte

.... da defesa de outrem.

O grupo ou será fadada a morte.

Será? d u v i d o .

Dedicação e cega disciplina cultivam a permanência

...no auge?

Expõe o osso mesmo que torto,

...aceita o ridículo ...

Acredita no mais um com todos.... e não nenhum.

Um?

...mas não desce do meio fio nem por um decreto,

pensando estar livre da solidão.

Estúpida você vai morrer

....vão te acabar aos pedaços pois é feita de carne....

Fonte do desejo e fúria.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tola

Quanta tolice profana inocência

Brotou doces ilusões


E este cansaço que toma meu estômago por completo

Me deixa sem nenhum aconchego..

Por uma questão inventada do nada.

Tomada por uma simples palavra

Que não carregava a fruta imaginada


E o pesado silêncio comprime meu fôlego


Não quero ser sombra

Eu quero ser mais do que onda

Eu quero ficar


Quanta tolice profana inocência

É ser prisioneira de mim mesma

Sem chance em uma guerra sem fronteiras


Então me perdoa por essa invasão descabida

Que me atém de uma forma lasciva

Condenando-me a interromper a partida

De algo que nunca chegou.

sábado, 6 de novembro de 2010

Sem censura


... sobre os meus domínios.
Não é em pedaços.

É na morada na minha falta de inocência que eu me perco sem censuras.
Aonde o tesão explode sem medidas...nas ondas das suas curvas.

Convexas.. côncavas.
Ondas de calor ..sadio torpor.

Corpo.
... inteiro, destemido, meu.
Não há dono, nem senhor de frear essa força contida...
......entregue sem subterfúgios, jamais escondida.

Sincera sedução.

Secretos pensamentos cobrindo seus devotados movimentos.
Soprando cada poro como chuva na parede da casa..
... escorrendo em separadas gotas, sombreando caminhos.

Minha fidelidade a mim,
e meus desejos ecoando pelo ambiente inteiro, banhando cada expiração sua.

Sem regras.
... com a mais doce firmeza.
Que isso não fira a ninguém...
...apenas cure.
Ao menos a mim.

Sem bandeiras a levantar, sem verdades a pregar..
....sigo no caminho pousado sobre a face de quem merece.
Meu olhar..
..boca,mãos, pernas e pêlos.
Eu.

Nada egoísta.. sem propósitos a justificar a meus algozes,
os deixo no martírio da secura...
No canto dos lábios,
nos dedos solitários, perdidos em suas palavras obscuras,
....numa obscenidade lasciva, sem remetente mas com destino certo.
Navegar por suas tolas fantasias sobre uma personagem de ficção.

....tendo-a
................ sendo-a
...expondo-a
......................matando-a.

Enquanto isso, eu olho nos olhos e peço de boca cheia!
Me devora!
...sem restos..pedaços .. de uma vez, inteira.

E despenco sem receio na entrega total,
sendo pluma tonelada em um momento de um grito secular!
Nem luxo do lixo...nem lixo da desobediência.
Sem dor no rompimento...
...na ira universal de gozar.

Curta.

Só hoje me levantei de vez da cama..quando fico meio deprê e a louca começa a rondar o meu limite, o que faço de melhor é me recolher. Mas também sorte o novo hóspede ter batido à porta, ele nem imagina mas com seu pedido me deu forças para buscar a vida novamente.. só um pingado..(sorrindo) e aquele desejo louco por um pingado secou minha boca e gritou no meu cabeção oco!

Levanta ô...já extrapolou!

por milésimos de segundo eu praguejei mas sua voz era tão suave e gentil um certo tom de cansada como a minha .. me foi familiar..e me envolveu.


    Abriu as janelas e deixou o vento da chuva entrar, ligou o chuveiro..e foi colocar o resto do leite e ração para os gatos..com as costas da mão verificou se a água havia esquentado afinal.. sempre levava um certo tempo.

    Com preguiça ainda tirou a camisa comprida antiga de malha branca, descalçou os chilenos e tirou a calcinha.. por um momento se olhou no espelho.. e o tempo pareceu ficar inerte..

    Quem era aquela pessoa?

    ... entrou no box de plástico, apertado.. desligou a água quente e abriu com mais força somente a fria e se entregou à limpeza da alma.

    Saiu do banho diferente, como sob a pele nova houvesse outra mulher e foi para rua.

    segunda-feira, 19 de julho de 2010

    Juízo


    Não.

    Não roubaram,

    ..................... eu quem permiti.

    Não incendiaram..................eu que me despi.

    Não apontaram

    ............... eu quem violei.

    Os segredos.

    Os medos escondidos nas ofensas diversas

    Foi entre os dedos nervosos e os olhos em constante desvio.....

    que eu denunciei.

    Invadi sem piedade os ecos presos na garganta,

    ......... e eles que causavam dor, uma ardência profunda.

    Ajudei curar.

    E mesmo assim

    fui condenada.